Magic Triangle!

Magic Triangle!

Assim que chegou a Nova York, a VARIG procurou estabelecer parcerias com as mais importantes companhias aéreas do mundo. De imediato, Berta buscou ampliar sua rede de serviços, expandindo-se pela Europa e Ásia, criando conexões e aumentando as ofertas para melhor atender seus usuários. Era preciso compreender e aprender toda a logística dos novos mercados. A meta era conquistar autonomia nas rotas internacionais mais cobiçadas, aquelas verdadeiramente lucrativas.

Os contatos se sucederam, com resultados promissores. Foram fechados acordos numa operação denominada “Triângulo Mágico”, com voos combinados entre companhias estrangeiras e a VARIG.

Entre as negociações consideradas mais estratégicas, o Oriente Médio era uma prioridade para Berta. Isso o levou a concretizar um valioso acordo com a Japan Airlines (JAL). Juntamente com Maurício Soares, representante brasileiro da VARIG nos Estados Unidos e gerente da filial de Nova York, Berta tratou, numa reunião em Tóquio, de incentivar o tráfego mútuo entre as duas empresas, combinando igualmente a divulgação recíproca do Brasil e do Japão, com o objetivo de incrementar o turismo entre os dois países.

O tráfego entre os Estados Unidos e o Japão, também servido por quatro grandes companhias americanas, evidenciava a importância da nipônica JAL, a mais jovem entre todas elas. Um fator importante era que detinha 30% do tráfego aéreo, com sete voos semanais entre São Francisco, Honolulu e Tóquio, dando cobertura total aos voos domésticos no Japão.

O acordo visava, ainda, incentivar a vinda para o Brasil de imigrantes japoneses, que já contavam com mais de 300 mil patrícios radicados em São Paulo. País diminuto em território, mas com cerca de 80 milhões de habitantes no final dos anos 1950, o Japão enfrentava a necessidade de buscar novas terras, e o Brasil era visto como um paraíso.

A campanha promocional elaborada pela VARIG-JAL marcou época. Foi massiva e criativa, abrangendo várias peças de mídia.

A Europa e os Estados Unidos também faziam parte do “Magic Triangle”, uma parceria fundamental para o incremento dos negócios da VARIG, com ganhos para o comércio internacional e para o nosso país.

Foram acertados acordos com companhias de grande porte, como:

  • Lufthansa: passagens, cargas e correspondência;
  • TWA: conexões entre a Europa e os Estados Unidos;
  • KLM: voos de Nova York até Londres e outras capitais europeias;
  • Alitalia: serviços cobrindo Europa, Ásia, África e Estados Unidos, com saída de Roma;
  • Air France: venda de passagens no trecho Rio–Nova York–Paris e vice-versa;
  • Iberia: conexões de Madri com as capitais europeias.

Era o futuro sendo estrategicamente acertado, uma meta que seria alcançada nos anos 1960, dando à VARIG a primazia do transporte aéreo na América Latina.

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