MUITAS INDAGAÇÕES, ALGUMAS RESPOSTAS
• Todas as afirmações de Berta eram baseadas não em simples conjecturas, mas dentro de uma visão realista e objetiva das coisas.
• Berta sempre teve essa virtude. Fazia previsões. Antecipava os acontecimentos. Realizava projeções. Tudo dentro de uma apurada análise das probabilidades, o que lhe rendia uma apreciável margem de acertos.
• Graças ao convívio com Otto Meyer e aos ases da aviação alemã daquela época, oriundos do conflito de 1919, Berta sabia de cor e salteado tudo aquilo que iria acontecer em 1945, quando se prenunciava o fim da Segunda Guerra Mundial.
• Assim, ele previa, em 1944, os acontecimentos de 1945, incluindo todas as dificuldades que as empresas já estabelecidas teriam de enfrentar com o surgimento de centenas de aparelhos, sobras de guerra, vendidos a preço de banana, gerando a proliferação de empresas sem estrutura para operar.

• Sempre com pouco tempo disponível, dificilmente parava para conversar, a não ser que o assunto fosse do seu maior interesse. Era frequente ver pessoas tentando acompanhar seus passos largos, procurando passar alguma informação ou fazer um pedido. Ele não deixava nada sem resposta — mesmo que fosse um curto “sim” ou “não”.
• Conta a lenda que ele tinha um código secreto com Schuetz (jamais oficialmente revelado), que era o homem do dinheiro, o capataz das finanças da VARIG e da Fundação. Conforme o tipo do assunto, a assinatura de Berta podia ser quente, positiva para atendimento imediato, ou convencional, para ser analisada com mais atenção antes da resposta definitiva.
• Uma entrevista com Berta era uma loteria. Jornalistas mais experientes pagavam voos em que ele viajava. A bordo, Berta era mais acessível. Ficava mais vulnerável. Não escapava de uma boa conversa.
• Os momentos em que convivi com Berta, além das informações passadas para nosso House Organ, foram em situações tensas. Seja ele agradecendo, pessoalmente, por eu não ter aderido a uma greve em 1957, ou acompanhando o episódio da Legalidade, além do atentado contra o Constellation feito por um mecânico da Evaer.

• Berta era um líder polêmico. Possuía sempre informações atualizadas e dados reveladores sobre a aviação e a própria empresa. Esse fato lhe garantia uma vantagem significativa nos debates públicos que realizava. Não perdia oportunidade de dar palestras para autoridades civis e militares, falando dos problemas e soluções para o transporte aéreo. Envolvia-se, muitas vezes, em assuntos que não lhe diziam respeito diretamente — como o caso Cruzeiro/Condor e os ataques da Tribuna da Imprensa contra a aviação comercial brasileira. Berta resolveu tomar para si e comprar a briga, enquanto os outros líderes ficavam omissos e silenciavam.
• Berta tomava atitudes políticas em favor da VARIG que considerava estratégicas, sem consultar seus diretores. Muitas precisavam ficar envoltas em sigilo. Ele era bom em guardar segredos. Algumas vezes, somente depois de o assunto estar concretizado e os resultados concluídos é que comunicava seus pares.



























