PREPARANDO O VOO PRESIDENCIAL
Juscelino foi o presidente que mais utilizou os aviões da VARIG em um mandato, realizando voos especiais organizados especialmente para ele. Uma vez estabelecido o roteiro pela área diplomática, Berta entrava em ação. Os aviões ficavam totalmente à disposição da comitiva. Quase sempre passavam por profundas modificações na cabine, buscando a comodidade e a privacidade do presidente e dos seus acompanhantes ilustres.

Numa estratégia de apoio, para evitar qualquer surpresa desagradável, Berta colocava um avião de reserva, com tripulação de sobreaviso. Quando ocorria um voo presidencial, o pessoal da manutenção, em Porto Alegre, se esmerava nos detalhes. E Berta conferia tudo de cima, o que dava ao trabalho uma singular notoriedade.
Sua presença, acompanhando a movimentação, ficava sendo aceita com entusiasmo pelos técnicos envolvidos. Era uma forma de reconhecer o trabalho de todos. Uma maneira de ser apreciado o desempenho do pessoal. Berta gostava muito de agradecer pelos serviços feitos com dedicação e eficiência, especialmente aqueles que colocavam diretamente em jogo o prestígio da marca VARIG.
Além de outras vantagens, oferecia grandes churrascadas onde os feitos eram valorizados, numa verdadeira festa em família.
A VARIG, provavelmente, nunca recebeu numerário algum por esses voos, mas as vantagens indiretas eram visíveis. Com o Constellation, Berta faturou dividendos fundamentais para o crescimento da empresa.

Numa disputa acirrada com a concorrência, Berta foi contemplado com o licenciamento e aval do governo, em 1957, para a compra do Caravelle, garantindo à VARIG a primazia do jato.
Para levar adiante o projeto de crescimento, com a previsão da entrada dos novos equipamentos, Juscelino brindou o setor com uma série de vantagens. No início do seu governo e logo após a viagem para o exterior na companhia de Berta, ficou clara a existência de um acordo tácito que previa a entrada dos jatos como uma marca assinalada de progresso ambicionado pelo governo.
Em 16 de fevereiro de 1956, Juscelino deu isenção de combustível e lubrificante importado para o consumo dos aviões a jato-propulsão. Ainda em dezembro de 1956, acrescentou uma subvenção de 450 milhões de cruzeiros anuais, por cinco anos, rateados entre as concessionárias das linhas regulares para o reequipamento da frota das empresas.
Em contrapartida, as obrigações das empresas se estendiam em vantagens aos jornalistas e congressistas, com descontos de 50% nas passagens aéreas.
Era uma tática política perfeita, capaz de agradar a gregos e troianos, evitando polêmicas, trazendo a imprensa para o lado do governo. Com uma cajadada só, JK matava vários “coelhos” e levava à frente o plano acertado por Berta, detalhe por detalhe.

Foi uma oportunidade única de privar da intimidade do presidente e prestar relevantes serviços ao país.
(CONTINUA)…