No Biguá, além de Chatô, voaram autoridades de destaque, como o interventor federal Cel. Oswaldo Cordeiro de Farias e o Ministro da Aviação, Salgado Filho. Ambos se disseram encantados, emitindo os mais entusiasmados elogios. Diniz Campos, uma das figuras exponenciais na organização da VAE (foi seu secretário), nos relatou em matéria que publicamos no Boletim do Museu VARIG: “Ruben Berta voou uma vez só no Biguá, sob o comando de Ruhl. Logo na primeira curva, a menos de 100 metros de altura, o cabo do reboque quebrou. Graças à experiência do piloto, o planador passou entre uma árvore e uma casa, descendo numa faixa de terreno baldio. Antes que Ruhl falasse alguma coisa, Berta disparou, bem ao seu estilo: ‘Onde diabos é que vocês foram arrumar um cabo tão vagabundo?’ E nunca mais voou de planador. Este foi o único acidente aéreo sofrido por Berta em seus milhares de horas voadas.
O Gaivota, por sua vez, que foi montado em exposição no Museu da VARIG, chegou a bater recordes de altitude. Realizou demonstrações de voo na Parada da Mocidade e nas comemorações do Dia do Aviador, conquistando a plateia pela sua perícia. Esse planador foi construído em 1938 na VAE, servindo como instrumento de formação de inúmeros pilotos, que mais tarde chegaram a tripular os modernos jatos comerciais da VARIG.
As duas primeiras décadas da nossa aviação eram movidas pela emoção do desconhecido. Foi assim no tempo do hidroavião Atlântico. Foi assim na época que logo se seguiu, com os aviões terrestres. O ato de voar era poesia pura. Uma aventura até então inimaginável. Em cada saída, em cada chegada, havia um clima de muito “charme”. Os passageiros eram recepcionados calorosamente. As mulheres, em especial, recebiam flores, homenageadas como se fossem protagonistas de um grande espetáculo.
A beleza e a elegância eram realçadas pela coragem de viver um novo momento. No inverno dos pampas, para buscar defesa do Minuano que soprava frio, elas vestiam aconchegantes casacos de pele — normalmente importados da Argentina — com a elegância pródiga de Buenos Aires. E ditavam moda. Os fotógrafos, sempre presentes para marcar o embarque ou a chegada de personalidades, faziam espocar seus flashes e o assunto virava notícia nas páginas dos nossos principais jornais e revistas.
Emoldurando tudo, aparecia a figura do avião e quase sempre a do comandante, requisitado para valorizar o evento. Políticos, empresários conhecidos e pessoas influentes da sociedade eram, normalmente, os passageiros que usavam o avião como meio de transporte, fazendo disso um acontecimento.
As cidades do interior, logo que receberam os primeiros Junkers F-13, transformaram cada aeroporto num lugar de aglomeração e festividade. Foi uma época inesquecível, onde as estradas empoeiradas cediam lugar à leveza e à agilidade do avião, ganhando em tempo e encurtando espaços. Nesse quadro romântico, a coragem das mulheres e como elas enfrentavam o excitante prazer de voar foi uma das razões que deram credibilidade e confiança à aviação de antigamente.
Ao par de todo esse encantamento, histórias fantásticas eram vividas e contadas como lenda por audazes pilotos e suas incríveis máquinas voadoras. A partir dos anos 50, surgia a rainha de bordo. Uma nova figura que passou a ocupar o imaginário das pessoas: a aeromoça — hoje comissária de bordo —, capaz de trazer ainda estilo e beleza, para ornamentar um quadro de satisfação plena. Para coroar todo esse clima, a criatividade dos artistas, compondo peças publicitárias com leveza de traço, carimbava toda a sensibilidade e criatividade de uma geração voltada para grandes conquistas.
A VARIG sempre primou pela criatividade e boa qualidade dos seus “reclames” desde a época do pioneirismo, com o hidroavião Atlântico e sua incrível plasticidade. Assim foi em 1928, no seu primeiro ano de fundação, quando promoveu, em conjunto com o Syndikat Condor, belas peças publicitárias divulgando a venda de passagens, correspondência e encomendas expressas. Nas peças, era enfatizada a regularidade dos 400 voos feitos até então, com 100% de segurança no transporte de quase quatro mil passageiros, além da economia e da simplicidade no despacho de cargas.
Mais tarde, no advento dos Junkers F-13, com voos terrestres, soube ousar mantendo, pela primeira vez no país, um voo direto, todos os dias, a partir de 1938, com o Junkers A-50, fazendo a ligação entre Porto Alegre e Pelotas. Ganhou, aí, espaços generosos na mídia. Foi nessa mesma época que surgiu o primeiro outdoor da aviação comercial brasileira de que se tem notícia, localizado nas cercanias da cidade. Mostrava a figura de um Junkers F-13 com o logo da VARIG encabeçando a peça e a do Ícaro dentro de um círculo. Depois, com o Junkers JU-52, mais conhecido como Mauá, é que a propaganda teve maior repercussão na época. Era um avião trimotor de belos contornos, com capacidade para 20 passageiros e bem mais veloz do que os demais da frota. O tratamento gráfico ganhava força, com peças institucionais e atraentes desenhos.
Seguindo uma tendência europeia, a propaganda da VARIG, até os anos 40, foi marcada por trabalhos valorizando as ilustrações. Em 1942, Berta aprovou, pela primeira vez, um anúncio mais avançado, com a foto de um avião dominando a área, para promover a linha Porto Alegre – Montevidéu. O voo, inaugurado em agosto de 1943, serviu para liberar a VARIG do estrangulamento das linhas regionais. A vedete era o elegante avião Chuí, um De Havilland Dragon Rapid, bimotor e biplano, de fabricação inglesa, também chamado de Dragão – utilizado pela VARIG até dezembro de 1945, sendo vendido à empresa OMTA. Em 1943, foi a vez dos “Electrinhas”, que passaram a voar também para a capital uruguaia, recebendo tratamento diferenciado pela modernidade do desempenho. A partir de 1946, o Douglas DC-3 veio mudar a história da aviação no Brasil.
ANOS DEPOIS ABRINDO ESPAÇO PARA A DIVULGAÇÃO DE RECORTES HISTÓRICOS JAMAIS TORNADOS PÚBLICOS EM NOSSO TEMPO – RELIQUIAS REPASSADAS PELO FUNDADOR DA VARIG, ESTRAVIADAS E RECUPERADAS ABRINDO ESPAÇO PARA UMADIVULGAÇÃO EM SÉRIE JAMAISMOSTRADA NOS TEMPOS ATUAIS .
VARIG – ACIMA DE TUDO VOCÊ
Release publicado no nascimento da Varig jamais divulgadas na história moderna da empresa, através de uma coleção de RECORTES catalogados por Otto Ernst Meyer, junto a imprensa da época da Varig é relíquia histórica jamais divulgada na Era Moderna.
VARIG ACIMA DE TUDO VOCE ! PRESENTE PARA A GRANDE FAMILIA VARIG
Ambos viveram e morreram abraçados na obra que construíram e garantiam uma posição de afeto provada os momentos mais difíceis da história. Fui testemunha ocular da história recebendo de Mayer grande parte de confissões sacramentada onde a amizade e a inteligência superava qualquer dificuldade.
O presidente da Varig, encantado com a nossa atuação em Porto Alegre, acabara de fazer, pessoalmente, um convite para muitos irrecusável – E dai?
Normalmente, as grandes decisões na minha vida foram respaldadas entre a razão e o coração, formando o alicerce da minha construção familiar. Harry Schuetz, então presidente da Varig, me telefonou num domingo, fazendo uma revelação. A Superintendência da Propaganda da Varig, no Rio de Janeiro, estava vaga e a ligação tinha alguma coisa a ver com isso. O lugar era meu e mandou preparar as malas pois a resposta exigia pressa.
Dois dias antes, Schuetz estivera em Porto Alegre, participando de uma coletiva para a imprensa em pleno Salgado Filho, atendendo minha solicitação. Na época, quase todos os grandes jornais do país mantinham sucursal em Porto Alegre, considerada atrativo polo gerador de notícias. Assim, não foi difícil reunir a nata do jornalismo brasileiro, além dos locais, incluindo rádio e televisão. Foi uma recepção digna de um estadista. O evento repercutiu ainda no exterior, pois serviu para revelar o nome de Helio Smidt como futuro presidente da companhia.
Mais tarde, fiquei sabendo que o meu portfólio vinha sendo acompanhado pela diretoria, o que já me valera a escolha para membro do Colégio Deliberante da Fundação Ruben Berta, honraria reservada a 300 colegas, num universo de 22 mil. Além disso a criação do Museu Varig era uma obra admirada por todos, servindo para sedimentar o meu prestígio.
Do outro lado da linha respirei fundo, surpreso com a situação determinando uma posição imediata. Ponderei uma série de circunstâncias particulares e da empresa que fragilizariam minha saída de Porto Alegre. Era um momento que exigia minha presença junto a família, com a Geny recém perdendo o irmão, ainda moço, com os pais abalados e trazidos para morar conosco. A dificuldade de uma transferência, considerando ainda o estudo dos filhos e uma vida nova num ambiente que exigiria algum tempo para adaptação, levava para uma séria reflexão, e a diretoria não podia esperar.
Uma frase foi fundamental para encerrar o assunto repliquei-Minha prioridade maior é a FAMÍLIA, em seguida vem a VARIG. Na ocasião coloquei meu cargo à disposição (porque NÃO absoluto soava como insubordinação). Harry Schuetz catou minha decisão e tornou-se um dos meus verdadeiros amigos. Logo após sua morte, recebi da esposa Walda e dos filhos o material que ele zelosamente guardara, sobre sua vida na Varig, que veio juntar-se aos de figuras imortais, como Otto Meyer, Ruben Berta e Erik de Carvalho, num Panteon criado no Museu Varig dedicado a enaltecer figuras memoráveis que engrandeceram a história da aviação comercial brasileira
Helio Smidt foi eleito nos anos 80 e com ele Ivam Siqueira atuando na Superintendência de Propaganda Varig.e com ela nascendo a Expressão Brasilira abrindo a Varig para o mercado publicitário Foi uma época de grande avanço no setor, que vai receber de nós uma grande cobertura