O RIO QUE TINHA ALMA

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O RETIRO DE FÉRIAS

Ponta Grossa foi o primeiro Retiro de Férias da VARIG, em Porto Alegre, inaugurado por Otto Meyer em março de 1941, meses antes de deixar a empresa. A Fundação ainda não existia, pois só veio a ser criada por Berta em 1945.

O local, bastante aprazível, ficava às margens do Guaíba. No prédio central, havia um amplo salão de refeições, também usado para a realização de festas. O retiro possuía alguns quartos que serviam de pousada.

No final dos anos 50, eram feitas excursões de ônibus, resultando em muita confraternização. O local era muito limpo e bem cuidado. Um jardineiro tratava das árvores e das plantas, enquanto duas cozinheiras preparavam o almoço e a janta, tudo coordenado por um caseiro e sua esposa.

A frequência mantinha-se elevada, especialmente nos fins de semana, quando alguns mais corajosos arriscavam mergulhos no rio, então ainda livre da poluição.

Uma comissão escolhida pelo Colégio Deliberante, formada por três de seus membros, organizava os eventos e atendia às reivindicações dos frequentadores. Um deles, pela dedicação e carisma, era quase sempre reeleito: Guilherme Ritter, figura simpática e querida por todos, de quem logo me tornei amigo.

Após a morte de Berta e na busca por uma localização mais próxima da capital, o Retiro da Pedra Redonda foi vendido. Na década de 70, a Fundação adquiriu uma área muito arborizada onde foi criado o Recreio de Ipanema, próximo ao Morro do Sabiá.


ASSISTÊNCIA FAMILIAR

Existia também, nos anos 50, o Serviço de Assistência Familiar, sob o comando de Wilma Berta, auxiliada pelas esposas de alguns diretores, como Lory Cardoso, Denise Schittini, Anita Peixoto e Norma Smidt, entre outras.

De forma espontânea, elas visitavam famílias de funcionários que necessitavam de auxílio ou amparo, distribuindo agasalhos e mantimentos. Mais tarde, esse trabalho foi incorporado à Fundação, passando a se chamar Serviço Social, permanecendo sob a liderança de dona Wilma e sua equipe de colaboradoras.

A iniciativa partiu de Berta e recebeu adesão total do funcionalismo.

O Serviço Social também oferecia, por preços simbólicos, roupas esquecidas e não reclamadas nos aviões: camisas, calças, gravatas, saias e diversas peças em desuso pelos tripulantes, destinadas especialmente aos funcionários menos favorecidos.


CANTINAS DE PRIMEIRO MUNDO

Berta sempre acreditou que um funcionário bem alimentado e sem preocupações em casa estaria preparado para desempenhar melhor suas funções. Com apoio familiar, produzia mais e não tinha pressa em deixar o serviço pela metade. Fazer horas extras, quando necessário, era aceito com satisfação por todos.

O ambiente era agradável e o clima favorecia uma colaboração recíproca. No final, havia compensação financeira, que sempre vinha em boa hora.

Para atender ao pessoal, Berta mandou construir, inicialmente em Porto Alegre e depois em outras grandes bases, como Rio de Janeiro e São Paulo, modernas cantinas de refeição, equipadas com os mais avançados recursos da época.

A comida, supervisionada por nutricionistas, era de excelente qualidade e cobrada a preços irrisórios, graças aos subsídios da Fundação e da própria VARIG.

Como eu sempre morei próximo ao aeroporto, costumava fazer as refeições em casa com minha família — um verdadeiro ritual para nós. Por isso, raramente utilizava as cantinas. Nas poucas vezes em que fui, fiquei bastante satisfeito. A alimentação era balanceada, com variedade de pratos e sabor apurado, sempre acompanhada de sobremesas, sucos e frutas frescas.

Melhor impossível, principalmente considerando os valores mínimos pagos através de vales.

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