O JOVEM BERTA RECEBE TRIPULANTE LENDÁRIO

O JOVEM BERTA RECEBE TRIPULANTE LENDÁRIO

Nascido em Hamburgo, Alemanha, no dia 19 de setembro de 1900, Rudoll Cramer Von Clausbruch tornou-se piloto aviador militar em 1917. Finda a guerra, continuou na aviação civil sua carreira de piloto aviador. De 1923 a 1924 foi piloto da Junker Luftverkehr e, de 1924 a 1926, da Deutscher Aero Lloyd. Em 1926 ingressou na Lufthansa, recém-fundada. Por ela foi destacado para participar da Missão Luther, que já se encontrava no Brasil a serviço do Condor Syndikat.

Foi o primeiro diretor técnico da VARIG, cargo que acumulou com o de piloto comandante durante um ano. Ingressou automaticamente na brasileira Syndicato Condor quando de sua fundação, em 01/12/1927.

Von Clausbruch chegou ao Brasil no dia 31 de dezembro de 1926. Já no dia seguinte comandava o hidroavião Dornier Wal Atlântico no voo que levou do Rio de Janeiro a Florianópolis o Ministro da Aviação e Obras Públicas, Victor Konder. Foi comandante do mesmo hidroavião Atlântico no histórico voo realizado no dia 3 de fevereiro de 1927, que deu início ao tráfego aéreo entre Porto Alegre e a cidade de Rio Grande, via Pelotas.

Permaneceu na Condor até 1942, quando foi demitido por ser alemão, apesar de brasileiro naturalizado desde 1934. Com sua mulher, Dona Margarete, viveu no Rio de Janeiro, sendo aposentado pelo INSS, recebendo ainda pensão da VARIG.

Esta biografia acompanhou a proposta de Sócio Honorário apresentada à Assembleia Geral do Sindicato Nacional dos Aeronautas, em 1976, aprovada por unanimidade, considerando os relevantes serviços prestados à aviação nacional na época do pioneirismo em nosso país.

Ministro Victor Konder no hidroavião Atlântico

Para garantir a autorização para voar no Brasil, a Condor empenhou-se em mostrar a segurança e o conforto do Dornier Wal ao governo da República. Convidaram o então Ministro de Obras Públicas e Viação, Victor Konder, e alguns jornalistas a voarem do Rio de Janeiro até Florianópolis, no dia 1º de janeiro de 1927, retornando à capital nacional quatro dias depois. Os alemães malmente conseguiram impressionar o Ministro Konder. Tanto que o governo concedeu, tão logo, em 20 de janeiro, a autorização para a operação de uma linha aérea dentro do território nacional pelo prazo de um ano, visto que a Condor Syndikat era uma empresa estrangeira e havia essa limitação legal.

Em 27 de janeiro de 1927, o hidroavião retornou a Porto Alegre, onde ficaria baseado. No dia 3 de fevereiro, às 8h30 da manhã, decolou das águas do Guaíba, conduzindo Maria Echenique e João Fernandes Moreira, junto com Guilherme Gastal e João Oliveira Goulart (estes dois, os primeiros passageiros pagantes da história da aviação comercial brasileira). Como carga, o Atlântico levou doze malas postais. Estava inaugurada a primeira rota da aviação comercial brasileira, depois chamada de Linha da Lagoa, pois o voo se fazia sobre a Lagoa dos Patos, cujo destino era a cidade de Rio Grande, com escala em Pelotas.

Em todos os voos, a tripulação era formada pelo comandante Rudolf Cramer von Clausbruch, Max Sauer e Franz Nuelle.

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