CRIATIVIDADE NA PROPAGANDA – OS RECLAMES
A VARIG sempre primou pela criatividade e boa qualidade dos seus “reclames” desde a época do pioneirismo, com o hidroavião Atlântico e sua incrível plasticidade. Assim foi em 1928, no seu primeiro ano de fundação, quando promoveu, em conjunto com o Syndikat Condor, belas peças publicitárias divulgando a venda de passagens, correspondência e encomendas expressas. Nas peças, era enfatizada a regularidade dos 400 voos feitos até então, com 100% de segurança no transporte de quase quatro mil passageiros, além da economia e da simplicidade no despacho de cargas.
Mais tarde, no advento dos Junkers F-13, com voos terrestres, soube ousar mantendo, pela primeira vez no país, um voo direto, todos os dias, a partir de 1938, com o Junkers A-50, fazendo a ligação entre Porto Alegre e Pelotas. Ganhou, aí, espaços generosos na mídia. Foi nessa mesma época que surgiu o primeiro outdoor da aviação comercial brasileira de que se tem notícia, localizado nas cercanias da cidade. Mostrava a figura de um Junkers F-13 com o logo da VARIG encabeçando a peça e a do Ícaro dentro de um círculo. Depois, com o Junkers JU-52, mais conhecido como Mauá, é que a propaganda teve maior repercussão na época. Era um avião trimotor de belos contornos, com capacidade para 20 passageiros e bem mais veloz do que os demais da frota. O tratamento gráfico ganhava força, com peças institucionais e atraentes desenhos.

Seguindo uma tendência europeia, a propaganda da VARIG, até os anos 40, foi marcada por trabalhos valorizando as ilustrações. Em 1942, Berta aprovou, pela primeira vez, um anúncio mais avançado, com a foto de um avião dominando a área, para promover a linha Porto Alegre – Montevidéu. O voo, inaugurado em agosto de 1943, serviu para liberar a VARIG do estrangulamento das linhas regionais. A vedete era o elegante avião Chuí, um De Havilland Dragon Rapid, bimotor e biplano, de fabricação inglesa, também chamado de Dragão – utilizado pela VARIG até dezembro de 1945, sendo vendido à empresa OMTA. Em 1943, foi a vez dos “Electrinhas”, que passaram a voar também para a capital uruguaia, recebendo tratamento diferenciado pela modernidade do desempenho. A partir de 1946, o Douglas DC-3 veio mudar a história da aviação no Brasil.