VARIG  NASCEU COM DATA MARCADA PARA MORRER (1/2)

VARIG  NASCEU COM DATA MARCADA PARA MORRER (1/2)

A parceria escondia um segredo compartilhado com  Meyer

 

Ao completar um ano a Varig ainda engatinhava e a Condor achava-se pronta para “dar o bote“.-

Documentos dos arquivos secretos de Meyer, liberados pela família quando das pesquisas para o livro” Berta os anos dourados da Varig,” mostram os detalhes que salvaram a Varig do extermínio, quando ainda dava os primeiros passos. A proposta feita pela Condor, através da Lufthansa, quando a Varig comemorava seu primeiro ano de existência, dá ideia do oportunismo e da verdadeira razão que levou o grupo alemão a ser o grande parceiro na criação da companhia gaúcha, em maio de 1927.

A mesma Assembleia que criou a Varig, em 1927, um ano depois, aprovou por unanimidade, a fusão pleiteada pela Condor.

Queria engolir a Varig e fincar suas raízes, definitivamente, no sul do Brasil. Os alemães articulavam  fazer uma fusão com a pequena Varig, contando com  a maior receptividade dos acionistas da empresa gaúcha e do próprio Otto Meyer, seu criador, No relatório da diretoria Meyer não poupava elogio à Condor. Em 10 de maio de 1928, esta mesma assembleia resolveu aceitar por unanimidade as propostas e as condições formuladas pelo Syndikat para a fusão de ambas as empresas, no mais tardar dentro de um ano.

Certamente, Meyer havia conseguido a adesão e o apoio da Lufthansa e do seu governo, por um acordo que introduzia o grupo alemão no Brasil através de uma participação acionária (que trazia por trás uma fusão como pano de amostra para domínio imediato) Meyer em seu encontro em Berlim, simplesmente ignorou a participação da Condor, exigindo um documento com o timbre da Lufthansa. Ele tinha jogado todas as fichas na mesa, culminando com a certeza de uma união a curto prazo, decisiva na negociação costurada por Meyer

Ele, considerava impossível manter-se sem a fusão com uma companhia de porte internacional, buscando expandir seus interesses no tráfego aéreo da mala postal da  Europa para a América do Sul e vice-versa.. Sem esta negociação fundar uma companhia do nada, era um negócio desinteressante, que somente um objetivo maior poderia representar sua adesão.

Os alemães entrariam na sociedade com apenas um hidroavião,(Atlântico) já usado, carecendo de grandes revisões, e logo em seguida com outro hidroavião (Gaúcho) bajulando com o nome, na intenção de quem veio para ficar, (aumentando sua participação no lote acionário que passou de 25% para 41%,quase chegando lá.) Os hidros davam seus últimos suspiros considerados descartáveis em  pouco tempo ( quase sucata)  quando o futuro estava nos aviões  terrestres, com possibilidade de amplo raio de ação, usando pistas espalhadas nos locais mais estratégicos e importantes do pais, sem ater-se, exclusivamente, a geografia do litoral  (onde as pistas já estavam prontas)

Logo que chegou no Porto de Rio Grande, o hidroavião, Atlântico teve calorosa recepção, tendo em seguida entrado em serviço de manutenção.
Representava moeda de troca pela participação acionária de 25% da Condor

 

Logo em seguida chegou o hidroavião Gaúcho, completando a parcela num total de 41%. de participação, tendo que passar também, por rigorosa inspeção.

A Lufthansa, em parceria com o governo alemão, oferecia, através da Condor, mão de obra especializada que estava ociosa e era o seu diferencial de qualidade. No início, todos os pilotos  e técnicos de manutenção eram alemães. A Condor,  que passaria  a ser apenas um departamento da Lufthansa buscando serviço na América do Sul, vendendo aeronaves, ajudando a criar empresas, oferecendo pilotos e mecânicos para operá-las, cumpria seu papel. Como o dinheiro na Varig era curto e construir pista era inviável no momento, a oferta ficou com os hidroaviões, num pais de extenso litoral. .

 

Antecipando o resultado foi lançada uma campanha de marketing com a assinatura conjunta, Varig-Condor, dando mostras do avanço das negociações.

 

No Brasil o objetivo maior, nunca revelado explicitamente, era assumir o controle sobre  a Varig, da qual  já  possuía quase a metade das ações sem investir dinheiro vivo. Tudo leva a crer que Meyer pactuava do mesmo desejo, pois já havia deixado escapar numa entrevista ao Correio do Povo, das dificuldades de manter uma empresa desse nível sem o apoio de uma grande organização, com experiência mais moderna como era o caso da Condor   -. “Fatalmente. mais cedo ou mais tarde, será ela consumida pela concorrência de um grande grupo internacional ou por alguma outra sociedade nacional, aliada a um desses grupos”, garantia ele.

O apoio dado ao desconhecido Meyer, além da relativa garantia dos compatriotas radicados no pais, embutia o fato de que a vida da Varig teria os dias contados, tratando-se logo da fusão das duas empresas, para em seguida ser transformada numa nova companhia, com outro nome  e outras ambições, tendo a Lufthansa  e o governo alemão como alavancas.

EM 30 DE DEZEMBRO DE 1929, A FUSÃO  PROJETADA PELAS DUAS EMPRESAS COMEÇOU A VAZAR.

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