DOPS DE GETÚLIO VARGAS E O COMUNISMO DE ERICO VERISSIMO

DOPS DE GETÚLIO VARGAS E O COMUNISMO DE ERICO VERISSIMO

Documento revela episódio vivido por Erico no Estado Novo

Fichado de comunista pelo DOPS, Erico, primeiro presidente da ARI, viveu momentos dramáticos em defesa da liberdade de imprensa. Acusado pelo lançamento do seu romance Caminhos Cruzados, retratando de forma crua os contrastes entre pobres e ricos, o livro, que acabou ganhando o prêmio da Fundação Graça Aranha, foi considerado imoral e subversivo por setores mais conservadores da sociedade gaúcha, sofrendo, inclusive, boicote na comercialização.

De Cruz Alta para o mundo – Com os Bertaso da Globo, a consagração do jovem talento.

 

Erico Verissimo- primeiro presidente da ARI – e o enfrentamento com Vargas, na luta pela liberdade de expressão durante a ditadura do Estado Novo

Outra razão para que se tornasse mal visto pelos órgãos de repressão do Estado Novo, foi que Erico Verissimo, na mesma época, assinasse um manifesto antifascista, condenando a invasão da Abissínia por tropas de Benito Mussolini e pedindo o fechamento no Brasil, da ação Integralista. O escritor foi intimado a depor nos órgãos de segurança pública passando por momentos constrangedores e ameaças veladas, sendo orientado a não assumir o cargo de primeiro presidente da ARI (Associação Riograndense de Imprensa), coisa que não aconteceu. Ao contrário, sua principal tarefa como presidente da ARI, passou a lutar pela liberação de jornalistas presos pelo regime. Em março de 1937 quando entregou o cargo de presidente ao sucessor indicado, jornalista Dario Rodrigues, diretor da Agência Brasileira – Órgão noticioso do Governo Federal, marcando um momento nebuloso da história do nosso jornalismo e da comunicação social no país.
O chamado Estado Novo, na era Vargas, foi implementado em novembro de 1937, inspirado num regime ditatorial do modelo nazi fascista europeu, então em moda na época. Representou a última fase do governo, iniciada com Governo Provisório e Governa Institucional, e teve seu fim somente em 1945.

Um documento que Vargas rasgou, por inutilidade de uso até 1945. E depois?

 

Voltando ao poder, em 52, agora pelas urnas, Getúlio faz a última gauchada, transferindo para a Varig a concessão da linha de Nova York, que a Cruzeiro não conseguia manter.

Foi comunicado a população brasileira por meio do programa de rádio Hora do Brasil (que existe até hoje) Antes, em 1935, alguns militares associados a ideologia comunista da Aliança Liberal Libertadora, criada por Luiz Carlos Prestes, haviam feito um levante contra o governo, conhecido como Intentona Comunista, sendo rebelados. Nasceu daí uma crise na política brasileira, onde o comunismo passou a ser considerado perigo iminente – um inimigo da pátria.
Ainda, em 1937, veio à tona o chamado Plano Cohen, com detalhes da revolução comunista para o Brasil, apoiada pela União Soviética, que na verdade não passava de um ardil dos militares ligados a Vargas, comandados pelo general Góis Monteiro, visando a segurança nacional contra a ameaça comunista. Para enfrentar o perigo iminente, foi implantado, através da Constituinte de 1937( Polaca) o golpe do Estado Novo.

A visita do presidente Roosevelt ao Brasil, num encontro com Vargas, alinhavou presença da FAB no conflito mundial.

As ações atingiram diretamente as instituições democráticas. O Congresso Nacional foi fechado, bem como as assembleias estaduais e câmaras municipais, sendo lavrada nova Constituição, que recebeu o apelido de “Polaca”. Getúlio Vargas tornou-se presidente do Brasil sem sequer fazer parte de um partido político, pronunciando à frase celebre –“ O governo sou eu” condenando a lógica de uma minoria, impondo a centralização do poder, o nacionalismo, anticomunismo e seu autoritarismo. Para consolidar sua imagem, Vargas engendrou um setor capaz de consolidar sua imagem e exercer forte controle sobre os meios e comunicação, nascendo dai o DIP, (Departamento de Imprensa e Propaganda), dirigido pelo jornalista e intelectual Lourival Fontes, com largo poder de penetração na sociedade. Ele criou 19 de abril (aniversário de Vargas) o dia do presidente, obrigando os meios de comunicação a enaltecer a figura de Getúlio e referendar sua atuação no governo.
O poder executivo passou a ter o controle sob as demais estâncias com pleno apoio das lideranças militares e beneplácito popular, conquistado por uma série de ações como a criação da Justiça do Trabalho (CLT), com a CSN – Companhia Siderúrgica Nacional e Companhia Vale do Rio Doce, implantação da nova moeda – (Cruzeiro) e participação na Segunda Guerra Mundial, a favor dos Aliados, com a FEB (Força Expedicionária Brasileira).

Na época, Erico Verissimo teve que enfrentar não somente o DIP, como outra sigla temida pela truculência- DOPS (Departamento de Ordem Pública e Social) criada para prevenir e combater crimes de ordem pública e social que colocassem em risco a segurança do estado.

Segundo o livro – Associação Riograndense de Imprensa ( Rosemari Schwarz Rossi) a gestão dessa primeira diretoria da ARI transcorreu num período complicado da história nacional e mundial. A revolução na Espanha, sobre estremecimentos e inquietações entre países, formavam um quadro sinistro prenunciador dos horrores da IIª Guerra Mundial. No Brasil, os atritos entre extrema direita e extrema esquerda viviam sua primeira etapa. O clima político da nação exigia uma visão ampla e continua, aliada a perspicácia em pautar as atividades dessa associação, numa época de repressão. A tarefa mais importante na gestão de Erico Verissimo foi a contínua presença juto às autoridades no sentido de obter a liberação dos associados detidos ou de melhorar-lhes as condições de carceragem. Cite-se, ainda, o trabalho assistencial efetuado junto aos familiares destes associados.”
Frases de Erico Verissimo –
” Os esquerdistas sempre me acharam acomodado”
” Os direitistas me consideram comunista”
” Os moralistas e reacionários me acusam de imoral e subversivo”

 

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