BERTA X LINEU – DUELO DE GIGANTES ( 1 )
UM TIRO PELA CULATRA
Berta tirou o coelho da cartola e nocauteou o inimigo.
Num lance de mestre, usando as próprias armas do adversário, Berta chega antes e ganha uma batalha onde a derrota era eminente, deixando Lineu a “ver navios”.
Em 1954, ano em que fui admitido na Varig, a guerra entre Lineu Gomes e Ruben Berta fervilhava o assunto badalado nas rodas aeronáuticas e de conhecimento geral nos aeroportos do pais. Era voz corrente que a Real, captaniada por LIneu, preparava um golpe capaz de reduzir a força da oponente, que se insinuava com intenções de competir no mercado, liderada por Ruben Berta.
Com encomenda feita de fábrica na aquisição do avançado CV-340, se antecipando a Berta, Lineu Gomes esperava dar um golpe mortal nas intenções da Varig em crescer. De imediato, antes mesmo de receber a encomenda, passou a divulgar maciça campanha promocional sobre as vantagens da moderna máquina. Berta não se deu por vencido e foi pesquisar o mercado. Mais uma vez ele se valeu da Panam, sua velha conhecida, para sair de um aperto. Com faro de detetive descobriu que a empresa americana estava se desfazendo de alguns CV – 240 largados no pátio, esperando por compradores interessados. Era tudo o que ele procurava. Assim que soube da possibilidade de compra imediata, Berta mandou Bordini aos Estado Unidos para acertar a vinda de duas aeronaves, numa opção de mais sete.
Agora, a situação se invertera. O tiro saíra pela culatra e Berta é quem dava as cartas, levando de carona toda a estratégia de marketing bolada por Lineu e amplamente divulgada na mídia. Valando-se das promoções da congênere, que já tornara o avião conhecido do público – alvo com as características externas semelhantes, Berta deitou e rolou. Quando o PP-VCY pousou no Salgado Filho, toda a expectativa criada pela Real foi absorvida pela Varig com enorme ganho de imagem, tornando a vinda do CV -340 um fato de menor expressão. O -CV-240 foi utilizado na Ponte Aérea Rio – São Paulo e nas rotas domésticas, chegando a fazer voos internacionais, com excelente aceitação dos usuários. Em 1958, quatro vezes por semana, o Convair da Varig passou a ligar Porto Alegre a Montevidéu e Buenos Aires, sendo que no ano seguinte começou a fazer conexão com o voo do Super Constellation para Nova York. Eram aparelhos muito importantes para a Varig e Berta esfregava as mãos, feliz da vida, saboreando essa nova conquista.