BERTA, GETÚLIO E CHATEAUBRIAND (Parte 2)
VARIG RECÉM-NASCIDA, MARCADA PARA MORRER
Estas três figuras notáveis da nossa história tiveram grande afinidade com o desenvolvimento da aviação comercial brasileira. A política e a imprensa foram armas poderosas na expansão da Varig usadas por Meyer que criou e Berta consolidou tornando a modesta companhia aérea regional dos gaúchos, na maior empresa aérea privada do mundo. Cada um deles por afinidade dentro das suas atribuições formavam um grupo monolítico, capaz de superar desavenças, tendo Berta como mediador e ponto de equilíbrio capaz de vencer desafios e superar vaidades.
GETÚLIO VARGAS SALVOU A VARIG DO EXTERMÍNIO
Você vai saber agora, como e porque, a Revolução Liberal de Getúlio, salvou a Varig do extermínio. Histórias de bastidores recolhidas dos arquivos secretos de Meyer, quando da investigação para o livro (ainda sem nome na época) mostravam detalhes que salvaram a Varig do extermínio. Logo após seu primeiro ano de existência ainda bebê, começando a engatinhar, já estava condenada a desaparecer envolvida numa fusão com a LufThansa, em Berlim. Na época estavam feitas tratativas avançadas para uma fusão sonhada pela Condor com a Varig. Mas um acontecimento inesperado e mantido em absoluto sigilo durante as negociações foi peça-chave para o desfecho do caso.
Na verdade, a Condor Syndikat nunca foi uma empresa aérea antes de se estabelecer no Brasil. Tinha como missão contando com o apoio do governo alemão e da Lufthansa, penetrar no mercado da América do Sul para vender serviços e aviões dando apoio técnico, empregando pilotos e mecânicos, ajudando a criar empresas aéreas para manter seus negócios atuantes. No Brasil, o objetivo maior, mas nunca revelado explicitamente, era assumir o controle da Varig, da qual já tinha 41% das ações. A meta era abrir caminho para uma empresa de bandeira interessada diretamente no transporte de carga e mala postal da Europa para a América do Sul. A fusão era considerada “favas contadas”… A proposta feita quando a Varig comemorava timidamente seu primeiro aniversário, dá ideia do oportunismo e verdadeira razão que levou a empresa alemã a ser a grande parceira na criação da companhia gaúcha em 07 de maio de 1927. Dentro da proposta da fusão nasceu um acordo provisório de participação conjunta, com prazo de validade vencendo em 21 de dezembro de 29, até lá seriam avaliados os prós e contras da provável união. A ideia era a extinção da Varig e a criação de outra empresa com novo nome, deixando a Varig numa posição subalterna.
No entanto, a fusão projetada pelas duas empresas começou a vazar. Dentro de um novo quadro histórico, em 7 de maio e 1930, o major Alberto Bins, presidente do Conselho Fiscal da Varig declarava oficialmente o desinteresse em prosseguir nas negociações – por falta de prazo conveniente. Anunciava, também, em ter a Varig recebido valiosa proposta do governo do estado visando apoia-la moral e materialmente para manter-lhe a independência buscando o bem dos interesses da população do Rio Grande do Sul.
O clima da incerteza política e o movimento liderado pela Aliança Liberal, que levaria Getúlio Vargas ao poder, interrompeu qualquer negociação Documentos encontrados nos arquivos de Meyer contam episódios da revolução de 30, tendo como meta a derrubada do governo da União, então presidido por Washington Luiz. Meyer e Osvaldo Aranha faziam reuniões secretas na calada da noite na Chácara da Tristeza com envolvimento total da Varig, considerando a aviação arma estratégica para qualquer necessidade.
Na verdade, a revolução de 30, e a presença de Vargas no poder presidindo o pais, a Varig pode respirar, sobrevivendo de uma morte anunciada.
A Revolução Liberal de 30, com a presença de Vargas presidindo o país numa ditadura que durou cerca de 15 anos, fez a Varig respirar numa amizade que se estendeu até a morte trágica do presidente em 1954.
CHATEUBRIAND BOTOU A FORÇA DOS SEUS JORNAIS EM DEFESA DA REVOLUÇÃO
Assim como Meyer e Berta colocaram a frota da Varig em defesa da Revolução Liberal, Chatô não se fez de rogado usando as armas da imprensa, colocando seus veículos de comunicação em favor da causa Liberal. Como jornalista aderiu a bandeira da Aliança representado um símbolo de libertação .Para ele ,a manipulação das eleições presidenciais era demonstração de abuso do poder por parte do presidente Washington Luiz. A nova revolução era esperança de renovação da política nacional. Estava centrado na denúncia do funcionamento do sistema político da república Velha.
Como jornalista, Chatô buscava para o Brasil um sistema governamental mais justo e democrático e outras vezes visando apenas interesses próprios. Lutava pela liberdade de expressão. Ele se engajou na espera da democratização do país, o que não acontecia, buscava a transformação através de críticas severas, muitas vezes descabidas em busca de vantagens para seus jornais.
Mas, durante a proclamação do golpe do Estado Novo, rendeu-se e passou a fazer apologia ao presidente e seu programa de governo. Buscava a transformação por meio de livros e textos jornalísticos com críticas severas. Procurava influir nos rumos da política da Nação. Mas logo que as coisas melhoravam com alguma vantagem, mudava de opinião. Nada era de graça para Chatô. Quando não alcançava resultados positivos. Mudava de estratégia… Era realmente um parceiro de difícil convivência, que Berta logo aprendeu a conhecer suas forças e fraquezas.
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