O ERRADO E O CERTO ( e o que eu quero que seja)
Berta era assim – Quem ousasse rebater seus argumentos publicamente corria o risco do contraditório e sentia a força da sua mão. No início dos anos 60 a Varig já tinha entrado na era do jato, com o Caravelle e o Boeing 707. Berta deixou claro aos membros do Colégio Deliberante da Fundação dos Funcionários a sua maneira muito pessoal e “democrática” de dirigir as reuniões. Em uma Assembleia o Comte. Portofé, com o qual Berta tinha algumas diferenças, fez uso da palavra (coisa que acontecia raramente) buscando reivindicações pessoais, falando ao mesmo tempo em nome de um grupo de tripulantes.
Na ótica do presidente, o pronunciamento era intempestivo, fora do contexto e sem propósito. Berta ouviu o orador sem interromper a fala. No final, olhando firme para Portofé sentenciou – “Aqui na Varig tem o errado, o certo, e aquilo que eu quero que seja“.
A plateia emudeceu. Depois de alguns segundos de perplexidade, os trabalhos seguiram o seu ritmo normal – sem mais interrupções. Esse era o estilo de Berta. Objetivo. Convicto do que dizia era leal e duro nas participações. Quem ousasse rebater seus argumentos publicamente, corria o risco do contraditório e sentia a força da sua palavra.
Berta foi uma figura carismática, inclusive pelas posições objetivas e transparentes que faziam parte da sua personalidade. Sem sinais aparentes de riqueza e muita lisura nas atitudes era considerado incorruptível numa época de grandes escândalos. Ele mesmo no cargo de diretor-presidente, se considerava apenas um funcionário da Varia gozando de um posto privilegiado, incapaz de assumir vantagens pessoais, a não ser aquelas que o seu posto determinava
Na sua estratégia de administrar foi conquistando espaço, retirando do caminho cada congênere que lhe fazia concorrência direta. Certamente, na busca de objetivos, não se preocupava com os meios para atingir os fins, sem perder a decência. Talvez esteja aí um contraste que deva ser examinado no seu perfil. No âmbito político, Berta teve presença forte. Foi parceiro inconteste de Getúlio, Jango e Brizola, de Juscelino, de Jânio, da junta militar e figura marcante no episódio da Legalidade, mas soube enfrentar Jango, quando da guinada para a esquerda. Não pensou duas vezes e rompeu com seu aliado histórico.
A receita para fazer a multiplicação das rotas foi recheada por muito trabalho. Liderança, honestidade, determinação e competência, tudo agregado a ousadia
Dono de uma modéstia bem genuína nunca se deixou contaminar pelo sucesso. Tratava com as mais altas personalidades do mundo – presidentes, ministros, dignitários estrangeiros. Sabia ser, ao mesmo tempo, surpreendentemente franco. Da mesma maneira convivia com os seus companheiros de trabalho, repartindo atenção e generosidade, exigindo dedicação e lealdade.
Sexta-feira, 03 de setembro, continuamos a contar essa grande história, com a segunda parte do artigo “BERTA, GETÚLIO E CHATEAUBRIAND”
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