Rumo a Copa do Mundo as delegações brasileiras primavam pela elegância no vestir

Rumo a Copa do Mundo as delegações brasileiras primavam pela elegância no vestir

Meyer ensinou – Berta aprendeu

Nos primórdios da aviação brasileira, quando a Varig lutava para levantar voo com o hidroavião Atlântico, Meyer precisava ganhar espaço na imprensa, mas a verba era curta. O São José, de Porto Alegre, havia recebido convite para realizar um jogo na cidade de Pelotas, onde a Varig fazia voo de linha. Era tudo que Meyer queria. Seria novidade numa época em que o medo de voar ainda predominava. Pela escolha dos passageiros seria a certeza de repercussão na mídia, coisa que a Varig precisava. E, acertou na “mosca”.

Este ensinamento de Meyer ficou gravado na mente de Berta. O desenho da história passou como um relâmpago quando muitos anos depois, em 1958, os campeões mundiais retornavam da Suécia. Foram e voltaram num DC-7 da Panair. de prefixo PP-VDM, sendo recebidos de uma forma fantástica pelos torcedores em êxtase. O Brasil todo queria abraçar os seus heróis. A imprensa nacional e o resto do mundo repercutiu a chegada com manchetes espetaculares. A empresa aérea recebeu um diploma de honra ao mérito da CBD pela valiosa colaboração prestada, O episódio representava a integração da Panair com a cultura popular.

O regresso ao Brasil teve como trajeto Recife – Rio – São Paulo. sendo Porto Alegre contemplada dias depois com o retorno de Oreco (craque do Inter) ensejando grande recepção. Ele veio acompanhado de figuras notáveis como Didi e o capitão Belini, sentindo-e a ausência de craques como Pelé e Garrincha. O prefeito Leonel Brizola decretou ponto facultativo. Naquela segunda- feira (14 de julho) o aeroporto Salgado Filho ficou pequeno para receber seus campeões.

Jogadores campeões de 1962.

Do aeroporto a comitiva seguiu em carro aberto até o Estádio Olímpico do Grêmio, sendo recepcionada por mais de 10 mil torcedores vibrantes, por poderem ver de perto seus astros. Berta liberou o pessoal burocrático (eu estava entre eles) e se incorporou as comemorações. Sentindo a importância do evento sentenciou:

– A Seleção Brasileira tem que voar pela Varig.

O colega Waldemar Fonticielha, veterano de 47, assumindo as funções de relações públicas, com mais intimidade junto ao “velho”, afirmou baixinho:

– É, mas a Panair tem a primazia.

Ao que Berta respondeu, falando alto:

– Então vamos comprar a Panair.

A maioria deu um sorrisinho amarelo, mas quem o conhecia um pouco mais, sabia que ele não blefava. Foi, talvez, uma afirmação levada pelo entusiasmo do momento, mas que logo se torno realidade.

O goleiro Manga viajando para a Copa da Inglaterra, campeoníssimo pelo Inter e sua mão milagrosa

A Varig passou a ser a companhia aérea da Seleção Brasileira da Copa de 1962 no Chile até 2006 na Alemanha. Levou e trouxe a Delegação em quatro das cinco conquistas -1962, 1970, 1994 e 2002. Berta e Meyer faleceram no mesmo ano, 1966. Antes, tiveram o sabor de ver seus sonhos realizados.

 

 

A seleção tetracampeã mundial foi transportada até os EUA por um DC-10 da Varig. Na volta, o desembarque aconteceu no Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife

 

Na primeira tentativa para o penta, no Mundial da França, a Varig disponibilizou um boeing 737. Naquele ano, a companhia havia apresentado um novo logotipo. Foto: airlines.net

 

Na viagem mais longa já feita pela Seleção Brasileira, para o outro lado do mundo, a Varig utilizou um boeing 767-300. Na Ásia veio o pentacampeonato mundial. Foto: airlines.net

 

Na última viagem da canarinha a bordo da Varig, para a segunda edição na Alemanha, o avião foi um MD-11. Antes de chegar no país da Copa, a festa na intertemporada em Weggis, na Suíça. Foto: forum.contatoradar

 

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